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Ninguém escolhe ser refugiado. E se fosse consigo?

Ninguém escolhe ser refugiado. Ninguém escolhe abandonar a sua casa, deixar para trás a sua família, interromper os seus estudos, perder os seus amigos ou partir rumo ao desconhecido. Mas qualquer um de nós poderia, um dia, ver-se nessa situação.

Ao longo da história, milhões de pessoas foram obrigadas a fugir de guerras, perseguições, violência ou desastres. Foi precisamente após a devastação da Segunda Guerra Mundial, quando a Europa assistiu a deslocações humanas sem precedentes, que nasceu o sistema internacional de proteção dos refugiados que ainda hoje procuramos preservar.

Setenta anos depois, a pergunta mantém-se atual: estaremos a cumprir essa promessa?

Hoje, 118 milhões de pessoas vivem deslocadas pela força em todo o mundo. Entre elas, milhões de jovens cujos sonhos foram interrompidos por circunstâncias que não escolheram. Jovens que querem apenas aquilo que qualquer jovem deseja: estudar, desenvolver os seus talentos, construir uma vida digna e contribuir para a sociedade.

Mas sem educação, que futuro lhes estamos a oferecer?

A educação é muito mais do que um direito. É proteção. É autonomia. É esperança. É uma das formas mais eficazes de reconstruir vidas e comunidades.

No entanto, existe uma dimensão da educação que continua a ser frequentemente ignorada em contextos de deslocação forçada: o ensino superior. Ainda hoje, apenas uma pequena percentagem de refugiados consegue aceder à universidade. Para muitos, o sonho de continuar os estudos termina no momento em que são obrigados a fugir.

Na Nexus 3.0 acreditamos que não tem de ser assim.

Por isso, trabalhamos para expandir as oportunidades de acesso ao ensino superior através das vias complementares para a educação, uma abordagem que permite criar percursos seguros e dignos para estudantes refugiados e deslocados pela força.

Recentemente, desenvolvemos e submetemos ao Governo português a proposta PORTUS, um projeto-piloto destinado a reforçar estas oportunidades em Portugal.

Acreditamos também que a solidariedade entre pares pode mudar vidas.

Por isso criámos o HELP! Fund, um fundo nacional de solidariedade estudantil assente numa ideia simples: estudantes a apoiar estudantes, para que ninguém tenha de abandonar os seus estudos por dificuldades financeiras inesperadas.

Sabemos que a educação transforma vidas porque vemos essa transformação acontecer todos os dias.

Vemo-la na Gadheer. No Amer. Na Salma. No Mustafa. Na Shakilla. Na Anastasiia. Na Alina. Na Mashid. No Hassam. Na Genwa. Outrora jovens obrigados a fugir e a interromper os seus projetos de vida, são hoje profissionais, empreendedores, investigadores, líderes comunitários e cidadãos confiantes — uma demonstração clara de que a educação não muda apenas vidas; muda futuros. As suas histórias mostram-nos o que é possível quando substituímos barreiras por oportunidades e exclusão por inclusão.

Neste Dia Mundial do Refugiado, assinalar a data com palavras não basta.
A solidariedade mede-se pelas escolhas que fazemos.
Pergunte a si próprio: E se fosse consigo?
E depois transforme essa pergunta numa ação concreta.
Apoie. Partilhe. Mobilize. Contribua com um donativo. Participe. Junte-se ao movimento.
Porque ninguém escolhe ser refugiado.
Mas todos podemos escolher fazer parte da solução.
A educação não pode esperar. Junte-se à Nexus 3.0.